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Impacto social da ciência: como medir?

Quando os gestores de ciência e tecnologia querem ver o quanto uma pesquisa é relevante, o principal número a ser analisado é a quantidade de vezes que o estudo foi citado por outros cientistas em todo o mundo.

 

Esse indicador, de impacto de produção científica, é bastante eficiente para mostrar a repercussão de um trabalho. Em geral, pesquisas publicadas em inglês em revistas bem conceituadas, que são muito acessadas por outros cientistas, têm impacto mais alto. Além disso, trabalhos feitos em parceria internacional também têm seu impacto aumentado em cerca de três vezes.

 

Mas o alto impacto de uma pesquisa revela a importância social de uma pesquisa? “Não”, responde Valeria Thiel, consultora da Elsevier. “Mas não temos ideia de como mensurar o impacto social de um trabalho.”

 

Thiel é uma das integrantes de um Fórum de Rankings Nacionais, que participei na semana passada na Bratislava, Eslováquia.

 

Para construir suas respectivas listagens de universidades, cada país escolhe entre cinco e sete principais indicadores que medem o quanto uma instituição pode ser melhor que a outra. O principal deles costuma ser o indicador de impacto de produção científica.

 

Dentre os países participantes (cerca de vinte, de várias partes do mundo), apenas a Rússia leva em conta o que chamou de indicador de “serviços sociais”. Seria uma maneira de medir o quanto o que a universidade faz reflete na vida das pessoas. Países como a China passam longe desse indicador (leia entrevista com um dos coordenadores do ranking de Shangai).

 

“Isso pode ser medido em pesquisas na área de saúde. Alguns estudos melhoram a qualidade de vida das pessoas. Mas e nas outras áreas?”, pergunta-se Evgeny Kniazev, da Universidade Nacional de Pesquisa, que fica em Moscou.

 

IMPACTO LOCAL

Vale ressaltar que algumas pesquisas podem ter impacto social local. Isso é comum nos campi das universidades do interior de São Paulo, por exemplo, onde grupos de estudos trabalham com pesquisa e extensão nas redondezas.

 

Esses trabalhos dificilmente têm interesse mundial, por isso as universidades concentradas nesse tipo de pesquisa perdem pontos nos rankings mundiais. Mas isso não significa que não sejam centros de excelência.

 

“O problema é que os rankings não são perfeitos”, resume Tom Parker, do Instituto de Políticas de Ensino Superior dos EUA. Concordo. Mas se todos incluíssem, de alguma maneira, um indicador de impacto social, ou ao menos pensassem em como fazê-lo, talvez as universidades ficassem menos inclinadas a estudar o que dá impacto em detrimento de tentar resolver um problema que está logo embaixo do seu nariz.

Escrito por Sabine Righetti às 12h59

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PERFIL

Reinaldo José Lopes Reinaldo José Lopes, 31, é editor do caderno "Ciência" da Folha. Formado em jornalismo pela USP, tem mestrado e cursa doutorado em língua e literatura inglesa.

Giuliana Miranda Giuliana Miranda, 23, é formada em Jornalismo pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Rafael Garcia Rafael Garcia, 36, é colaborador da Folha em Washington (EUA).

Sabine Righetti Sabine Righetti, 30, é especialista em jornalismo científico pela Unicamp, mestre e doutoranda em política científica.

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