É preciso ensinar ética na ciência?
A Fapesp lançou nesta semana um Código de Boas Práticas Científicas com diretrizes sobre ética na atividade científica.
O texto traz recomendações sobre, por exemplo, quem deve assinar um artigo científico. Também deixa claro que plágio, falsificação e fabricação de dados são “má conduta científica grave”. E dá recomendações de como devem ser conduzidas as investigações de casos de fraude científica.
Uma agência de fomento à ciência como a Fapesp precisa “ensinar” aos cientistas a não fazer fraude científica?
Não. Mas, como disseram os gestores da Fapesp, essa é uma maneira de fazer com que a ética científica vire um assunto nas universidades brasileiras.
Até que um caso de fraude apareça na imprensa pouco se fala sobre má conduta nos corredores acadêmicos. E os cientistas dificilmente fazem denúncias porque sabem que os processos administrativos muitas vezes acabam em pizza -- e que o pesquisador denunciado pode ser o parecerista de um artigo amanhã.
Do lado da sociedade, há pouca cobrança. Arrisco dizer que ainda existe no Brasil um resquício da ideia do cientista mitificado que trabalha por amor, ganha pouco e, imagine, jamais fraudaria dados.
Mas o que parece mais urgente agora aos gestores de ciência é fazer um levantamento dos casos de fraude no Brasil. Nos EUA, por exemplo, um survey com cientistas no ano passado mostrou que 84% deles já viram ou foram autores de má conduta.
Qual seria esse número no Brasil? Quantos processos administrativos de má conduta são conduzidos por ano? Não há nem uma estimativa disso. Mas com certeza foram muito mais casos que os três abaixo, recentemente publicados na Folha.
Químico da Unicamp é acusado de fraudar 11 estudos científicos
Aranha com nome de juiz (o formato da história em quadrinhos não pode ser visualizado na versão online)
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1109201101.htm
Entidade faz curso com condenado por plágio
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2008201102.htm
Escrito por Sabine Righetti às 19h19
Quando dinos caminhavam na avenida Paulista
Se você é, foi ou tem em casa um moleque doido por dinossauros (eu fui um desses), faria bem em não perder o simpático lançamento "Dinos do Brasil", da Editora Peirópolis.
Sou suspeito para falar porque, além de ser escrito pelo competente paleontólogo Luiz Anelli, da USP, o livro ainda é ilustrado por Felipe Alves Elias, um paleontólogo-ilustrador que já mandou bem muito bem dando charme visual a reportagens minhas aqui na Folha e na "Scientific American Brasil". Vale a pena conferir a obra.
Escrito por Reinaldo José Lopes às 19h26




