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Iommi, o roqueiro 'bioengenheirado'

Brandi666/CCTony Iommi, um dos fundadores da banda heavy-metal Black Sabbath, já era o primeiro guitarrista biônico da história do rock. Agora, ao que parece, será também o primeiro músico "bioengenheirado".

Quando Iommi era metalúrgico, aos 17 anos, teve a ponta de alguns dedos decepados e resolveu o problema com uma solução caseira. Sozinho, derreteu garrafas de detergente e construiu suas próprias próteses de plástico para poder continuar tocando. A história se tornou uma lenda entre fãs que passaram a adolescência chacoalhando a cabeça ao som dos acordes de "Ironman", clássico da banda.

A solução funcionou por um tempo, antes de ser substituída por próteses profissionais. Nos últimos anos, porém, Iommi (que já completou 61 anos) tem sofrido de lesão por esforço repetitivo (a LER, problema osteomuscular que é a praga dos músicos).

Em entrevista hoje para a rádio BBC2, o músico revelou que está passando por um teste experimental que usa células-tronco para tentar regenerar a cobertura de cartilagem que ele perdeu no ossos de alguns dedos, consequência da LER. A história está contada no site do The Times, que ouviu alguns especialistas sobre o assunto. Iommi não revelou porém, quem é o grupo de pesquisa que está tocando a empreitada.

Seja pelo futuro da biotecnologia ou pelo passado do Rock, desejamos sorte.

Escrito por Rafael Garcia às 21h30

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Devagar com a picanha

Tá, eu sei que vão me chamar de hipócrita de novo por tomar sopa de tubarão e restringir carne bovina, mas leiam este post de Paulo Barreto em seu excelente blog Amazônia Sustentável e digam se eu não tenho razão.

Barreto alerta para o fim do prazo, em janeiro, para que os fazendeiros do Pará apresentem o Cadastro Ambiental Rural, para provar aos frigoríficos que os bois que eles criam vêm de áreas ou que não estão sendo ilegalmente desmatadas ou que estão sendo regularizadas. Não sei se alguém ainda se lembra que as grandes cadeias de supermercados, como Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart, exigiram esse compromisso para poderem comprar carne da Amazônia, após uma ação do Ministério Público e do Greenpeace.

O pesquisador do Imazon constata:

"A principal atividade de adequação dos fazendeiros no curto prazo é o cadastramento ambiental. O número de imóveis cadastrados no CAR aumentou de cerca de 800 para 2.800 até a semana de 19 de outubro, segundo o portal da Sema. Entretanto, esse número é muito abaixo das cerca de 14 mil fazendas que existiriam no Estado (de um total de cerca de 100 mil imóveis rurais). Assim, ainda é incerto se a maioria dos fazendeiros vai mesmo se adequar. De qualquer forma, o MPF já divulgou que não ampliará o prazo para o cadastramento – ou seja, os fazendeiros têm até janeiro de 2010 para se cadastrarem. Para ver a evolução do cadastramento ambiental tente consultar o portal da Sema que disponibiliza o número de imóveis cadastrados no CAR e até mesmo o mapa do imóvel cadastrado (ver figura abaixo). Porém, nos últimos dias o portal muitas vezes tem estado indisponível."

Sem bifinho pra você, portanto.

Escrito por Claudio Angelo às 11h41

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Já temos uma política de clima. Quase.

Após um ano e tralalá em tramitação, passou na Câmara, em votação simbólica, há menos de duas horas, a lei da Política Nacional de Mudança Climática. Quem viu o texto final diz que trata-se de uma lei mais, por assim dizer, "aspiracional", mas que propõe que verba do clima não possa ser contingenciada, ou seja, usada para gerar superávit primário, como a bufunfa da ciência e tecnologia (viu, Mantega?). Fora isso, zero menção a metas numéricas. Segundo João Talocchi, do Greenpeace, isso se deve a um acordo com o Executivo, que diz que é atribuição deste poder republicano estabelecer números para redução de gases-estufa.

Amanhã, quarta-feira, a Câmara vota a destinação de verba do petróleo para o combate à mudança climática. Vamos ver que bicho vai dar. Ambos os projetos vão em seguida ao Senado, depois à canetada do(a) presidente(a).

Escrito por Claudio Angelo às 21h06

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Rumo a "Flopenhague"

Alister Doyle, correspondente ambiental da Reuters, decreta hoje que as negociações de clima das Nações Unidas em Copenhague, em dezembro, não devem chegar a um acordo global robusto, e que os negociadores internacionais, que até agora vinham bradando que "não existe plano B", já começam a admitir que talvez seja preciso convocar uma nova reunião para 2010. Ou seja, caminhamos para uma falha (em inglês, "flop") em Copenhague. Ou "Flopenhague", como uma ONG britânica estampou numa falsa capa do tabloide "The Sun" no mês passado.

"Eu diria que há 99% de certeza de que não chegaremos a um acordo ratificável em Copenhague", disse a Doyle Bill Hare, do Instituto de Pesquisa de Mudança Climática de Potsdam (Alemanha).

Hanne Bjurstroem, negociadora norueguesa que foi aplaudida na rodada de negociação em Bancoc ao anunciar a meta de 400% de reduções em 2020 em relação a 1990 de seu país, foi na mesma toada: "Não acredito que chegaremos a um acordo completo, ratificável e com valor de lei em Copenhague", declarou à Reuters.

No último sábado, na Folha, o embaixador argentino Raúl Estrada, "pai" do Protocolo de Kyoto, disse que seria melhor suspender Copenhague e reconvocar a reunião para meados do ano que vem, quando os EUA já terão aprovado no Congresso sua lei de mudança climática. Também na semana passada, até Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima, expressou ao jornal "Financial Times" sua desconfiança em relação a "selar o acordo" em Flop..., digo, Copenhague.

E pior aí vai. É cada vez mais grosso o coro dos que gritam que o rei está nu. E a culpa, mais uma vez, é da leniência do Congresso americano. O que dá motivo para rir por último ao pessoal do Pew Center on Global Climate Change, que desde 2007 vem dizendo que 2009 era uma data inviável para os EUA estarem prontos.

O consolo é que em 2010 a conferência do clima é no México - bem mais quente que a Dinamarca.

Escrito por Claudio Angelo às 17h32

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CQD

Como queríamos demonstrar, cavalheiros. A Associated Press ouviu vários estatísticos e, surpresa, eles disseram que esse negócio de clima parando de esquentar ou até esfriando não se sustenta. Traduzo pra vocês os parágrafos relevantes:

"Num teste cego, a AP forneceu os dados de temperatura a quatro estatísticos independentes e pediu que eles procurassem tendências, sem dizer a eles o que os números representavam. Os especialistas não acharam verdadeiros declínios de temperatura ao longo do tempo. 'Se você olhar os dados e meio que tentar escolher uma microtendência dentro de uma tendência maior, essa técnica é particularmente suspeita', diz John Grego, professor de estatística da Universidade da Carolina do Sul. (...) O presidente Barack Obama abordou o assunto na última sexta, no MIT. Ele disse que alguns 'fazem afirmações cínicas que contradizem a evidência científica avassaladora em relação à mudança climática -- afirmações cujo único propósito é derrotar ou adiar a mudança que sabemos ser necessária.'"

Sem mais perguntas, Meritíssimo.

Escrito por Reinaldo José Lopes às 20h41

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PERFIL

Claudio Angelo Claudio Angelo, 33, é editor de Ciência da Folha. Jornalista formado pela Universidade de São Paulo, cobre ciência e ambiente desde 1998. É autor de "O Aquecimento Global" (Coleção Folha Explica, Publifolha, 2008).

Rafael Garcia Rafael Garcia, 34, é repórter de Ciência da Folha. Jornalista formado pela Universidade de São Paulo, cobre ciência desde o ano 2000. Foi repórter da revista "Galileu" e editor-assistente da "Scientific American Brasil".

Eduardo Augusto Geraque Eduardo Augusto Geraque, 36, é jornalista e biólogo. Repórter de Ciência da Folha, é mestre em oceanografia e fez doutorado em jornalismo e ambiente pelo Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo, onde estudou a poluição do ar de São Paulo e do México.

Reinaldo José Lopes Reinaldo José Lopes, 30, é repórter de Ciência da Folha, onde começou a cobrir o tema em 2001. É formado em jornalismo pela USP, tem mestrado e cursa doutorado em língua e literatura inglesa na mesma universidade. Foi editor-assistente da revista "Scientific American Brasil" e repórter e colunista do portal "G1".

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