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Culpe o Canadá

"Blame Canada!" ("culpe o Canadá!"), diz o refrão da canção homônima de "South Park: Maior, Melhor e Sem Cortes", o melhor longa-metragem de animação já produzido desde "Branca de Neve e os Sete Anões".

Bem, as ONGs estão culpando o Canadá. O WWF e a seguradora Allianz divulgaram hoje o G8 Climate Scorecards, relatório que avalia o desempenho das nações mais ricas do mundo, que se reúnem na Itália neste mês, no combate ao aquecimento global. Entre os critérios avaliados estão as tendências de emissões de 1990 a 2007, a distância atual do cumprimento das metas do Protocolo de Kyoto, as emissões per capita, a intensidade carbônica (emissões por unidade do PIB), liderança nas negociações internacionais e políticas para o futuro. Os scorecards (ou cartões de pontuação) recebem no final uma luzinha verde, vermelha ou amarela, que sinaliza se aquele país está no rumo certo para fazer com que a temperatura do planeta suba menos de 2 graua Celsius.

Todos os países do G8 bombaram no teste do WWF. Nem mesmo a verdíssima Alemanha, que está cumprindo Kyoto com régua e compasso, mereceu a luzinha verde. Mas o Canadá... ah, o Canadá. Esse foi realmente um desastre.

Nas palavras do WWF:

"O Canadá tem a menor pontuação de todo o G8: as emissões totais estão aumentando paulatinamente e muito acima da meta de Kyoto, as emissões per capita estão entre as mais altas do mundo. As metas de médio e longo prazo de redução de gases-estufa são inadequadas. Um plano para cortar emissões foi criado no ano passado, mas não foi implementado. A meta de Kyoto ficará totalmente fora de alcance". E, diferentemente dos EUA, que pelo menos ganharam uma luzinha amarela em "liderança" com a chegada de Obama à presidência, o scorecard canadense é cheio de sinais vermelhos (só se salva a geração de energia, por causa das hidrelétricas). Blame Canada!

Vai ser engraçado ver como a diplomacia canadense vai se portar em Copenhague, agora que seu principal aliado político parece inclinado, pelo menos na retórica, a pular fora do barco furado dos fósseis.

Escrito por Claudio Angelo às 13h42

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Farewell, Mangaba

Foto Eduardo Knapp - 09.fev.09/Folha Imagem

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou hoje que o ministro dos Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, deixará o governo para não perder sua "tenure" em Harvard. O que, cá entre nós, é muito mais emprego.

De volta ao templo do saber ("Enter to grow in wisdom", como está gravado logo no pórtico da universidade, na simpática Harvard Square, em Cambridge, EUA), Professor Unger poderá dedicar mais tempo a atividades intelectuais mais abstratas, como a tentativa de desenvolver uma noção alternativa de tempo e lei na escala cosmológica, em colaboração com o físico Lee Smolin.

Ao menos consola saber que o ministro não terá tempo de implementar sua ideia de transpor o rio Amazonas para o Nordeste.

PS: Alertado postumamente pelo meu colega Rafael Garcia, registro aqui que a curiosa colaboração entre Mangaba e Lee Smolin nos foi informada pelo colega jornalista de ciência, "colaborador bissexto desta Folha" e geek profissional Flávio de Carvalho Serpa. Que, aliás, nesta mesma Folha, já escreveu sobre outra colaboração inusitada do ministro sainte, com o psicólogo Steven Pinker. É ou não é um empregão esse do Mangabeira?

Escrito por Claudio Angelo às 16h37

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PERFIL

Reinaldo José Lopes Reinaldo José Lopes, 31, é editor do caderno "Ciência" da Folha. Formado em jornalismo pela USP, tem mestrado e cursa doutorado em língua e literatura inglesa.

Giuliana Miranda Giuliana Miranda, 23, é formada em Jornalismo pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Rafael Garcia Rafael Garcia, 36, é colaborador da Folha em Washington (EUA).

Sabine Righetti Sabine Righetti, 30, é especialista em jornalismo científico pela Unicamp, mestre e doutoranda em política científica.

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