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Obama pressiona por lei do clima

Com sinais de racha no Congresso sobre o projeto de lei de energia e clima, o presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu partir para a ofensiva aos 44 do segundo tempo.

Obama discursou ontem no jardim da Casa Branca sobre a importância de aprovar nesta sexta-feira a lei "histórica" que criará incentivos para a energia limpa e um mecanismo de "cap-and-trade", ou seja, de comércio de emissões de CO2. Reconheceu que será uma votação apertada, "por causa da desinformação que há por aí que sugere que há de alguma forma uma contradição entre investir em energia limpa e o nosso crescimento econômico". Mas exortou os congressistas indecisos: "Nós não podemos ter medo do futuro e não podemos ser prisioneiros do passado".

Alguns trechos do discurso de Obama - que bem poderiam ser ouvidos por certos governantes do lado de cá.

"Por mais de quatro décadas nós falamos da nossa dependência do petróleo estrangeiro. E por mais de trés décadas nós vimos essa dependência crescer. Vimos nossa dependência de combustíveis fósseis ameaçar nossa segurança nacional. Vimo-na poluiro ar que respiramos e colocar o planeta em perigo. E, acima de tudo, vimos que outros países se deram conta de uma verdade crucial: a nação que liderar na criação de uma economia de energia limpa será a nação que liderará a economia global no século 21."

"Não se enganem: esta é uma lei de empregos."

"Eu sempre falei da necessidade de construir uma nova fundação para o crescimento econômico de forma que nós não voltemos para esse ciclo sem fim de bolhas e colapsos que nos levou a esta recessão profunda. A energia limpa e os empregos que ela cria são cruciais para essa nova fundação."

Escrito por Claudio Angelo às 22h04

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Sexo e música na Era do Gelo

 

Flauta de osso achada em Hohle Fels (imagem cedida pela Universidade de Tübingen)

 

Os habitantes pré-históricos de uma caverna alemã não eram apenas obcecados por sexo. Também eram amantes de música.

Uma flauta de osso foi encontrada a 70 centímetros de distância da estatueta conhecida como “Vênus de Hohle Fels”, uma figura de mulher com peitos grandes e genitália explícita achada na caverna com esse nome a 20 km da cidade de Ulm, no sul da Alemanha.

Os detalhes da estátua fizeram o arqueólogo Paul Mellars, da Universidade de Cambridge, ReinoUnido, declarar que “esse pessoal tinha obsessão pelo sexo”.

Agora o mesmo descobridor da vênus o arqueólogo NicholasConard, da Universidade de Tübingen, encontrou as flautas mais antigas conhecidas, com pelo menos 35 mil anos, e descreveu os achados na revista científica britânica “Nature”.

A flauta dessa caverna foi feita de um osso de urubu (da espécie Gyps fulvus) e foi encontrada em 12 pedaços. O comprimento do pedaço achado é de 21,8 cm, com largura de 8 mm.

Tambem foram achadas em Hohle Fels partes de duas outras flautas, de tamanhos diferentes, feitas de marfim. Um outro sítio arqueológico da região, Vogelherd, também rendeu o resto de outra flauta de marfim. A flauta de osso de ave é mais fácil de fazer e é mais resistente que a de marfim.

“A presença de música na vida das populações do começo do Alto Paleolítico não produziu diretamente uma economia de subsistência mais efetiva e maior aptidão reprodutiva. Vista, entretanto, em um contexto comportamental mais amplo, a música do Alto Paleolítico poderia ter contribuído para a manutenção de redes sociais maiores, e por isso talvez tenha ajudado a facilitar a expansão demográfica e territorial dos seres humanos modernos relativamente às culturalmente mais conservadoras e demograficamente mais isoladas populações do homem de Neanderthal”, escreveram Conard e colegas no artigo na “Nature”.

As peças achadas nas cavernas alemãs farão parte de uma mostra que será aberta em 18 de setembro na cidade de Stuttgart intitulada “Arte e Cultura da Era do Gelo”, prevista para terminar em 10 de janeiro de 2010. (RICARDO BONALUME NETO, DA REPORTAGEM LOCAL)

Escrito por Equipe do Laboratório às 19h42

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Falando em tubarão...

O blog Knight Science Journalism Tracker, do MIT, que se propõe a fazer "peer-review do jornalismo científico", especula sobre a maneira segundo eles perigosa como a pesquisa sobre os métodos de caça dos tubarões brancos foi capturada pela imprensa - quase todos os veículos, com algumas exceções (este blog, por exemplo) focaram seus relatos no fato de que o bicho age como um "serial killer", o que não ajuda em nada os esforços de conservação de uma espécie que já goza de tão má fama no imaginário do público.

Mas o melhor do post do blogueiro Charles Petit é a imagem acima, de um grande branco nadando sorrateiramente em direção a um caiaque nos arredores da Cidade do Cabo, África do Sul. Parece Photoshop, mas não é. Como explica o blog Paddling With a Camera, ela foi feita pelo biólogo marinho e fotógrafo sul-africano Thomas Peschak, não sem alguma tensão para o remador, que sabia que o peixinho de 4 metros estava se aproximando. O tubarão, relata, deu algumas voltas em torno do caiaque, depois perdeu o interesse e foi embora.

"Serial killer" é isso aí, né?

Escrito por Claudio Angelo às 19h43

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Tática de caça

Tubarão branco ataca leão marinho na África do Sul

Tubarão-branco ataca uma foca na África do Sul (foto Neil Hammerschlag)

Foram 340 registros no campo. Nada de simulações ou modelos de computador. Essa gama de dados permitiu a um grupo de pesquisadores norte-americanos traçar com precisão a tática de caça do grande tubarão-branco. Eles estudaram os grandes predadores sempre em um mesmo local, nas águas da África do Sul.

Duas peculiaridades chamam a atenção.

A primeira. O comportamento do animal é sorrateiro. Ele ataca sempre em um mesmo local, onde ele se sente mais tranquilo para a caça. Normalmente, não existe espaço para a fuga da presa.

O segundo ponto que chamou a atenção dos cientistas: o ataque é sempre certeiro e feito na vertical. O impacto do choque contra as focas, por exemplo, é sempre tão grande que esses mamíferos, todas as vezes, acabaram lançados para fora d´água.

O golpe fatal sempre ocorre perto da superfície, o que talvez indique, também, o motivo de os tubarões atacarem muito mais surfistas do que mergulhadores.

Antes que alguém ache que a pesquisa é inútil, duas coisas.

Os tubarões estão no topo da teia alimentar dos oceanos. Entender corretamente como eles se alimentam é entender como a energia flui por todos os oceanos entre os vários grupos animais.

Segundo, isso pode ajudar na preservação desses grupos de animais. Ao contrário do que pode parecer, os tubarões também estão ameaçados de extinção. Alguns grupos, praticamente dizimados.

Escrito por Eduardo Geraque às 21h01

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Um conto de dois países

Lula posa com petróleo do pré-sal, em 2008 (foto Eraldo Peres/AP)

A senadora Marina Silva compara, em sua coluna hoje na Folha (aqui, só para assinantes da Folha e do UOL), as performances ambientais de Brasil e Noruega na área de florestas. É um texto interessante, mas mais pelo que omite do que pelo que diz.

A ex-ministra aponta, com razão, que a iniciativa da Noruega de injetar bilhões de dólares em proteção de florestas (no Brasil, por enquanto, são só 100 milhões, apesar de o sempre afoito Carlos Minc já contar com 1 bilhão supostamente prometido) está dando o tom do debate sobre essa questão no pós-Kyoto, o tal REDD (sigla em inglês para redução de emissões por desmatamento e degradação florestal). Aponta também que o ministro do Ambiente do país nórdico, Erik Solheim, apoiou entusiasmado o anúncio do Fundo Amazônia em Bali em 2007. Este blogueiro estava lá e pode atestar o entusiasmo do ministro.

Mas Marina deixou de dizer algo fundamental, que informa muito mais sobre as diferenças entre Brasil e Noruega. O PORQUÊ de a Noruega ter aberto o saco de bondades florestais em primeiro lugar. Ponto para quem disse "petróleo".

Os nórdicos são o 11º produtor mundial de óleo (o Brasil não fica muito atrás, era o 13º em 2007 e vai passar de longe a Noruega quando Tupi começar a rodar pra valer). Como o Brasil, dominam a exploração offshore, nas águas profundas e geladas do Mar do Norte. E a semelhança acaba aqui.

Os US$ 2,7 bi que o governo norueguês está injetando em proteção das florestas tropicais não são nada mais do que uma tentativa de expiar a culpa carbônica petroleira do país. Uma espécie de compra de créditos de carbono florestais, mas sem esse nome - e, veja bem, nada disso desobriga a Noruega de ainda cumprir suas metas de redução por Kyoto ou por qualquer acordo que o amplie ou substitua. E o detalhe: eles estão fazendo isso com dinheiro de royalties de petróleo. No entendimento do governo norueguês, existe fungibilidade entre uma coisa e outra. O petróleo do Mar do Norte ajuda a esquentar o planeta, portanto, vamos compensar ajudando a manter florestas.

Bom, se você acompanha o noticiário, já sabe aonde eu quero chegar. O que o Brasil está fazendo para expiar a SUA culpa petroleira? Simples, comissário: o país, por decreto presidencial, com a conivência do ministro do Meio Ambiente (que, afinal, assinou o documento, mesmo discordando dele), está REDUZINDO o valor da compensação ambiental. Ou seja: na exata contramão do exemplo norueguês, o Brasil não só não está destinando todo o dinheiro do petróleo que já tem para proteger as florestas e o clima como está IMPEDINDO que dinheiro futuro possa ser usado para esse fim. Uma das cláusulas do decreto, por exemplo, determina que o valor de compensação de petróleo a ser pago será tanto menor quanto maior for a distância entre o poço e a superfície do mar. A redação parece que veio direto da avenida República do Chile, no Rio.

Será que a Petrobras e o governo acham que vai faltar dinheiro se eles pagarem a compensação? Se for esse o caso, por que na Noruega, que terá menos petróleo que o Brasil, sobra dinheiro para investir em extravagâncias como proteger a floresta brasileira? Não deveria ser o Brasil a investir dinheiro brasileiro de petróleo para proteger a floresta brasileira, cujo status de patrimônio nacional Lula não se cansa de frisar?

Era isso o que previa, afinal, a proposta de Política Nacional de Mudanças Climáticas, atualmente no Congresso: usar dinheiro da compensação ambiental do petróleo para proteger a Amazônia e o clima. Do jeito que as coisas estão, este é mais um projeto destinado a virar fóssil numa gaveta do Parlamento. Mas é melhor falar baixo a palavra "fóssil", senão alguém no governo vai querer furar um poço por lá também.

Escrito por Claudio Angelo às 15h56

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Moby Dick

Joerg Sarbach/Associated Press

Começa hoje na ilha da Madeira a reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB). O impasse é o mesmo de sempre: países baleeiros querem o fim da moratória à caça de baleias (firmada em 1986), enquanto os demais desejam a manutenção da proibição.

As principais nações baleeiras são Japão, Noruega e Islândia. O Japão caça baleias na Antártida com o argumento de fazer pesquisa científica. Diz ser necessário matar os animais para pegar dados mais precisos - depois, a carne é vendida dentro do país.

No ano passado, integrantes do Greenpeace acabaram presos no Japão após tentarem denunciar um suposto esquema de contrabando dos tripulantes do navio-fábrica Nisshin Maru. Eles disseram ter interceptado uma caixa com carne de baleia que funcionários da embarcação mandavam para suas próprias casas. O governo disse que a carne era parte do salário dos tripulantes e a polícia os prendeu.

O Brasil, que só na década de 80 proibiu a caça, hoje defende o "uso não letal" desses animais, como o turismo para observação de baleias.

Na reunião, Austrália e Nova Zelândia tentarão persuadir a CIB a banir a caça científica. O encontro vai durar cinco dias. Quando terminar, escreverei no blog para contar quais foram as definições.

Escrito por Afra Balazina às 22h00

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PERFIL

Claudio Angelo Claudio Angelo, 33, é editor de Ciência da Folha. Jornalista formado pela Universidade de São Paulo, cobre ciência e ambiente desde 1998. É autor de "O Aquecimento Global" (Coleção Folha Explica, Publifolha, 2008).

Rafael Garcia Rafael Garcia, 34, é repórter de Ciência da Folha. Jornalista formado pela Universidade de São Paulo, cobre ciência desde o ano 2000. Foi repórter da revista "Galileu" e editor-assistente da "Scientific American Brasil".

Eduardo Augusto Geraque Eduardo Augusto Geraque, 36, é jornalista e biólogo. Repórter de Ciência da Folha, é mestre em oceanografia e fez doutorado em jornalismo e ambiente pelo Programa de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo, onde estudou a poluição do ar de São Paulo e do México.

Reinaldo José Lopes Reinaldo José Lopes, 30, é repórter de Ciência da Folha, onde começou a cobrir o tema em 2001. É formado em jornalismo pela USP, tem mestrado e cursa doutorado em língua e literatura inglesa na mesma universidade. Foi editor-assistente da revista "Scientific American Brasil" e repórter e colunista do portal "G1".

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